Roteirista Steven Knight não inventa inovação no roteiro clássico e vigoroso de tramas fortes, diálogos enxutos e personagens inesquecíveis.

Peaky Blinders não merece a pouca projeção que tem após cinco temporadas arrasadoras, em seis anos de exibição na Netflix.
É das mais seguras produções de máfia, aquelas em que um poderoso chefão mau e de coração mole comanda uma rede de crimes e faz as maldades que precisa para proteger a família.
Não tem uma grande inovação no roteiro, linear e clássico como convém, mas vigoroso na trama de vinganças bem calculadas, diálogos enxutos e definitivos e nos personagens — incluindo mulheres lindas e fortes — inesquecíveis.
Puxando o time, o jovem chefão Tommy Shelby, um gigante de frieza e olhos azuis, de sentimentos irredutíveis segundo os códigos de máfia, onde a honra da palavra empenhada está acima da lei.
(O também jovem firme e premiado ator Cillian Murphy passa a impressão de que não poderia ser outro para o papel.)
O nome vem da história real de uma das gangues de latrocínios, sequestros e exploração de apostas que ganharam corpo em cima da miséria social da região de Birmingham, na Inglaterra, entre o final do século XIX e o início do XX.
Eram conhecidos tanto pela maldade quanto pelo charme dos casacos de colete sob sobretudo e os bonés de pico (peaky) com que disfarçavam navalhas (blinders) e o rosto.
Estamos depois da primeira guerra, por volta dos anos 18 e 19, quando um policial durão vivido por Sam Neil, a serviço de Sua Majestade, chega à região para investigar o sumiço de um carregamento de armas que seria destinado a rebeldes do IRA.
Não está preocupado em combater as gangues, mas evitar que o carregamento chegue às mãos dos militantes que, por anos, lutaram com métodos terroristas pela independência da Irlanda.
Acabará por se envolver numa parceria de conveniência com o chefe dos Blinders, ponta do enredo em que se misturam os interesses mafiosos de contrabandistas, políticos e da polícia corrupta. E numa disputa excitante pelo coração de uma espiã que dará sentido e conflito à vida dos dois.
Steven Knight, o criador, é um roteirista vigoroso que tinha apenas uma obra em destaque, o inquietante Coisas Belas e Sujas (Dirty Pretty Things), indicado ao Oscar de 2003.
Tratou de um imigrante que descobre um coração humano dentro do vaso de um hotel e vai se envolver numa trama do submundo de Londres, que, por ser imigrante ilegal, não pode denunciar.
Esse seu vigoroso Peaky Blinders deve colocá-lo em outro patamar entre os grandes roteiristas.
Minha resenha em vídeo:
Veja o trailer:
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